Eis meus horóscopos de hoje, segundo várias fontes:
Folha de SP:
VIRGEM (23 ago. a 22 set.) Você precisa de mais calma neste domingo, assim poderá moderar a tendência sinalizada pela Lua e por Saturno de se sentir nervoso, contrariado e triste de verdade porque a vida não é como você queria. Faça um trabalho voluntário: ajude a si mesmo a sair do buraco da crítica destruidora! Modere reações.
O Globo:
Virgem - de 23/08 a 22/09 - regente: Mercúrio
O trânsito da Lua pelo seu signo pode incentivar o seu romantismo. Um olhar romântico é bem mais simpático do que um olhar banal, quotidiano, repetitivo. É a nossa má vontade que faz com que vejamos tudo sem graça e sem cor. Seu estado de espírito é que escolhe o mundo em que você vive.
Terra:
Apesar do virginiano ser humilde e nem sempre ligar para a vaidade, hoje, com a presença da Lua em seu signo, esta questão se encontra estimulada. O que você pode fazer para aproveitar esse dia é cuidar mais de sua aparência. Faça uma dieta, uma ginástica, vá ao cabeleireiro, tudo isso o encherá de vitalidade.
domingo, 7 de outubro de 2007
Já...
... a minha música do dia é: Nada por mim, de Herbert Vianna:
Você me tem fácil demais
Mas não parece capaz de cuidar do que possui
Você me tem fácil demais
Mas não parece capaz de cuidar do que possui
Sobre o amor
Dedico este trecho de música para um amiga que teve uma noite especial ontem. Ela vai entender. Sim, private joke again... A música é Caminhos Cruzados de Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça. Segue um trecho:
Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar
Que o amor pode de repente chegar
Quando existe alguém que tem saudade de alguém
E este outro alguém não entender
Deixa este novo amor chegar
Mesmo que depois
Seja imprescindível chorar
Que tolo fui eu, que em vão tentei raciocinar
Nas coisas do amor que ninguém pode explicar
Vem nós dois vamos tentar
Só um novo amor
Pode a saudade apagar
Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar
Que o amor pode de repente chegar
Quando existe alguém que tem saudade de alguém
E este outro alguém não entender
Deixa este novo amor chegar
Mesmo que depois
Seja imprescindível chorar
Que tolo fui eu, que em vão tentei raciocinar
Nas coisas do amor que ninguém pode explicar
Vem nós dois vamos tentar
Só um novo amor
Pode a saudade apagar
Marcadores:
amor Tom Jobim
sábado, 6 de outubro de 2007
Obrigada !
Só para agradecer e registar as 1076 visitas que este blog teve até agora. bjs em todos os leitores amigos (e nos inimigos tb rs)
The maze e o falso Rodrigão
Ontem fiz um programa diferente e muiiito bacana. Fui ao The Maze, um bed and breakfast que fica na favela Tavares bastos, no Catete, onde rola uma jam session. A vista da Baía de Guanabara é maravilhosa. A bebida é barata e o churrasquinho é uma delícia.
O pessoal que trabalha na casa é supersimpático. O único chato é um velhinho que trabalha no bar. Ele colocou na cabeça que casaria comigo e toda hora vinha com uma piadinha. Disse até que tinha arrumado um quarto pra mim e que sabia fazer uma ótima massagem.
Fui salva por um cara lindo, Emerson, que até então se chamava Rodrigão. Explico: Há uns 10 anos passei um caranaval em Garopaba e conheci o tal Rodrigão. Lindo, alto, moreno, um luxo. Ele era simplesmente o melhor de toda a excursão. Sim, estou me gabando, mas se vc tivesse ficado com ele faria o mesmo, aposto.
Pois bem, assim que entrei no bar vi Rodrigão. Pensei: 'caraca!'. Passei até mensagem de texto para as amigas da faculdade. Nem elas acreditam. Ele me cumprimentou e não tive dúvida: era mesmo o ícone sexy Rodrigão.
Minha casa caiu em seguida. Quando ele viu o velho bigodudo me abraçando, como um cavalheiro, me tirou pra dançar. Ali fiquei sabendo que ele se chama Emerson, é advogado, mora em Copacabana, toca gaita e calça 47. Sim, 47, o cara é exibicionista, como diz uma amiga. Lindo, bem humorado, um fofo. Não, eu não peguei. Não queria derrubar o mito do Rodrigão rs. Mas, quem sabe um dia, certamente voltarei ao bar... ele também (foi o que disse)!
O pessoal que trabalha na casa é supersimpático. O único chato é um velhinho que trabalha no bar. Ele colocou na cabeça que casaria comigo e toda hora vinha com uma piadinha. Disse até que tinha arrumado um quarto pra mim e que sabia fazer uma ótima massagem.
Fui salva por um cara lindo, Emerson, que até então se chamava Rodrigão. Explico: Há uns 10 anos passei um caranaval em Garopaba e conheci o tal Rodrigão. Lindo, alto, moreno, um luxo. Ele era simplesmente o melhor de toda a excursão. Sim, estou me gabando, mas se vc tivesse ficado com ele faria o mesmo, aposto.
Pois bem, assim que entrei no bar vi Rodrigão. Pensei: 'caraca!'. Passei até mensagem de texto para as amigas da faculdade. Nem elas acreditam. Ele me cumprimentou e não tive dúvida: era mesmo o ícone sexy Rodrigão.
Minha casa caiu em seguida. Quando ele viu o velho bigodudo me abraçando, como um cavalheiro, me tirou pra dançar. Ali fiquei sabendo que ele se chama Emerson, é advogado, mora em Copacabana, toca gaita e calça 47. Sim, 47, o cara é exibicionista, como diz uma amiga. Lindo, bem humorado, um fofo. Não, eu não peguei. Não queria derrubar o mito do Rodrigão rs. Mas, quem sabe um dia, certamente voltarei ao bar... ele também (foi o que disse)!
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Flamengo 1 x 0 São Paulo
Sim, o Flamengo derrotou ontem o São Paulo, líder do campeonato, diante de uma Maracanã lotado. Foi recorde de público do brasileirão e eu estava lá. Foi maravilhoso. Quem conseguiu meu ingresso foi o grande Eduardo. Marquei com ele na frente da estátua do Bellini. Fui de metrô com Ingrid e enfrentamos uma odisséia até colocarmos as mãos nos ingressos.
Saímos do metrô e fomos andando para o lado oposto onde estávamos. No caminho.. um arrastão ! Sim, um cara lindo me pegou pelo braço e disse "vocês não devem ir pra lá agora, acabaram de roubar a camisa do meu amigo. Esperem aqui com a gente". Eu e Ingrid, claro, ficamos um pouco. Mas o tempo passava e a gente precisava muito pegar os ingressos, o jogo estava pra começar.
Nos despedimos dos caras e fomos correndo, contra uma multidão. Parei ao lado do Bellini e liguei para o Edu. Ele perguntou onde eu estava e eu disse "To aqui, no Bellini, do lado de uns PMs montados a cavalos que estão dando porrada em uns caras" Sim, a cavalaria montada estava atuando e nós duas não podíamos sair dali.
Algum tempo depois consegui pegar meu ingresso com Edu e Ingrid pegou o dela com Basílio, o primo. Entramos. Ufa! Os amigos de Basílio nos levaram para o meio da torcida organizada, aquela confusão. No intervalo, fomos para o outro lado, para ficar atrás do gol.
Em meio a isso tudo, Basílio decide discutir a relação com minha amiga. Ele teve a cara de pau de dizer pra ela que qdo a pediu em namoro, na Mangueira, estava brincando. Safa, ela mandou "ainda bem que eu estava bêbada qdo aceitei". Pronto. Chegava ao fim aquele namoro-relâmpago.
Imediatamente, ela contactou bode, um outro carinha, e marcou de encontrá-lo após o jogo. Ela conseguiu ainda o tel de um gatinho que assistia ao jogo do nosso lado. E já marcaram de sair na semana que vem. Na boaaaaa, preciso aprender algumas coisas com esta amiga !
Mudando de assunto: não há uma única vez que eu vá ao Maraca e não encontre alguém. Fodaaaa. Ontem, foi a vez de rever um ex-casinho. Ficamos juntos 8 meses. Nem vou relatar aqui nosso papo, foi bem bizarro. Depois, ele me passou uma mensagem de texto, parece que quer reparoximação. Vai ficar querendo....
... após o jogo decidi abrir meu coração para outro flamenguista que foi lá em casa comemorar a vitória. Falei tudo o que pensava, meus medos, sentimentos.... ele foi um fofo, mas acho que ele vai sumir. OK, pelo menos falei o que sentia. Não quero mais ficar reprimindo meus sentimentos. Chega de somatizar !!!
Saímos do metrô e fomos andando para o lado oposto onde estávamos. No caminho.. um arrastão ! Sim, um cara lindo me pegou pelo braço e disse "vocês não devem ir pra lá agora, acabaram de roubar a camisa do meu amigo. Esperem aqui com a gente". Eu e Ingrid, claro, ficamos um pouco. Mas o tempo passava e a gente precisava muito pegar os ingressos, o jogo estava pra começar.
Nos despedimos dos caras e fomos correndo, contra uma multidão. Parei ao lado do Bellini e liguei para o Edu. Ele perguntou onde eu estava e eu disse "To aqui, no Bellini, do lado de uns PMs montados a cavalos que estão dando porrada em uns caras" Sim, a cavalaria montada estava atuando e nós duas não podíamos sair dali.
Algum tempo depois consegui pegar meu ingresso com Edu e Ingrid pegou o dela com Basílio, o primo. Entramos. Ufa! Os amigos de Basílio nos levaram para o meio da torcida organizada, aquela confusão. No intervalo, fomos para o outro lado, para ficar atrás do gol.
Em meio a isso tudo, Basílio decide discutir a relação com minha amiga. Ele teve a cara de pau de dizer pra ela que qdo a pediu em namoro, na Mangueira, estava brincando. Safa, ela mandou "ainda bem que eu estava bêbada qdo aceitei". Pronto. Chegava ao fim aquele namoro-relâmpago.
Imediatamente, ela contactou bode, um outro carinha, e marcou de encontrá-lo após o jogo. Ela conseguiu ainda o tel de um gatinho que assistia ao jogo do nosso lado. E já marcaram de sair na semana que vem. Na boaaaaa, preciso aprender algumas coisas com esta amiga !
Mudando de assunto: não há uma única vez que eu vá ao Maraca e não encontre alguém. Fodaaaa. Ontem, foi a vez de rever um ex-casinho. Ficamos juntos 8 meses. Nem vou relatar aqui nosso papo, foi bem bizarro. Depois, ele me passou uma mensagem de texto, parece que quer reparoximação. Vai ficar querendo....
... após o jogo decidi abrir meu coração para outro flamenguista que foi lá em casa comemorar a vitória. Falei tudo o que pensava, meus medos, sentimentos.... ele foi um fofo, mas acho que ele vai sumir. OK, pelo menos falei o que sentia. Não quero mais ficar reprimindo meus sentimentos. Chega de somatizar !!!
A música de hoje é...
... Chão de Giz de Zé Ramalho e Elba Ramalho. Eis alguns trechos:
Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas,
Amiúde…
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes ...
... Queria usar quem sabe uma camisa de força
Ou de Vênus
Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas,
Amiúde…
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes ...
... Queria usar quem sabe uma camisa de força
Ou de Vênus
Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Contardo Calligaris de hoje na Folha de SP. Foda
Achei muito bacana. Vale a pena ler...
O segredo da vida de um casal
Receita do amor que dura: amar o outro não apesar de sua diferença, mas por ele ser diferente
EM GERAL, na literatura, no cinema e nas nossa fantasias, as histórias de amor acabam quando os amantes se juntam (é o modelo Cinderela) ou, então, quando a união esbarra num obstáculo intransponível (é o modelo Romeu e Julieta).
No modelo Cinderela, o narrador nos deixa sonhando com um "viveram felizes para sempre", que seria a "óbvia" conseqüência da paixão. No modelo Romeu e Julieta, a felicidade que os amantes teriam conhecido, se tivessem podido se juntar, é uma hipótese indiscutível. O destino adverso que separou os amantes (ou os juntou na morte) perderia seu valor trágico se perguntássemos: será que Romeu e Julieta continuariam se amando com afinco se, um dia, conseguissem deitar-se juntos sem que Romeu tivesse que escalar a casa de Julieta até o famoso balcão? Ou se, em vez de enfrentar a oposição letal de suas ascendências, eles passassem os domingos em espantosos churrascos de família?
Talvez as histórias de amor que acabam mal nos fascinem porque, nelas, a dificuldade do amor se apresenta disfarçada. A luta trágica contra o mundo que se opõe à felicidade dos amantes pode ser uma metáfora gloriosa da dificuldade, tragicômica e inglória, da vida conjugal.
O casal que dura no tempo, em regra, não é tema para uma história de amor, mas para farsa ou vaudeville -às vezes, para conto de terror, à la "Dormindo com o Inimigo". Durante décadas, Calvin Trillin escreveu uma narrativa de sua vida de casal, na revista "New Yorker" e em alguns livros (por exemplo, "Travels with Alice", viajando com Alice, de 1989, e "Alice, Let's Eat", Alice, vamos para a mesa, de 1978).
Nesses escritos, que são só uma parte de sua produção, Trillin compunha com sua mulher, Alice, uma dobradinha humorística, em que Calvin era o avoado, o feio e o desajeitado, e Alice encarnava, ao mesmo tempo, a beleza, a graça e a sabedoria concreta de vida. À primeira vista, isso confirma a regra: a vida de casal é um tema cômico. Mas as crônicas de Trillin eram delicadas e tocantes: engraçadas, mas nunca grotescas.
Trillin não zombava da dificuldade da vida de casal: ele nos divertia celebrando a alegria do casamento. Qual era seu segredo? Pois bem, Alice, com quem Trillin se casou em 1965, morreu em 2001. Trillin escreveu "Sobre Alice", que acaba de ser publicado pela Globo. Esse pequeno e tocante texto de despedida desvenda o segredo de um amor e de uma convivência felizes, que duraram 35 anos.
O segredo é o seguinte: Calvin e Alice, as personagens das crônicas, não eram artifícios literários, eram os próprios. A oposição entre os dois foi, efetivamente, o jeito especial que eles inventaram para conviver e prolongar o amor na convivência.
Considere esta citação de um texto anterior, que aparece no começo de "Sobre Alice": "Minha mulher, Alice, tem a estranha propensão de limitar nossa família a três refeições por dia". A graça está no fato de que a "propensão" de Alice não é extravagante, mas é contemplada por Calvin como se fosse um hábito exótico. Alice é situada e mantida numa alteridade rigorosa, em que é impossível distinguir qualidades e defeitos: Calvin a ama e admira como a gente contempla, fascinado, uma espécie desconhecida num documentário do Discovery Channel.
Se amo e admiro o outro por ele ser diferente de mim (e não apesar de ele ser diferente de mim), não posso considerar que minha maneira de ser seja a única certa. Se Calvin acha extraordinário que Alice acredite na virtude de três refeições diárias, ele pode continuar petiscando o dia todo, mas seu hábito lhe parecerá, no fundo, tão estranho quanto o de Alice.
Com isso, Calvin e Alice transformaram sua vida de casal numa aventura fascinante: a aventura de sempre descobrir o outro, cuja diferença inesperada nos dá, de brinde, a certeza de que nossa obstinada maneira de ser, nossos jeitos e nossa neurose não precisam ser uma norma universal, nem mesmo a norma do casal. Há quem diga que o parceiro ideal é aquele que nos faz rir. Trillin completou a fórmula: Alice era quem conseguia fazê-lo rir dele mesmo. Com isso, ele descobriu a receita do amor que dura.
O segredo da vida de um casal
Receita do amor que dura: amar o outro não apesar de sua diferença, mas por ele ser diferente
EM GERAL, na literatura, no cinema e nas nossa fantasias, as histórias de amor acabam quando os amantes se juntam (é o modelo Cinderela) ou, então, quando a união esbarra num obstáculo intransponível (é o modelo Romeu e Julieta).
No modelo Cinderela, o narrador nos deixa sonhando com um "viveram felizes para sempre", que seria a "óbvia" conseqüência da paixão. No modelo Romeu e Julieta, a felicidade que os amantes teriam conhecido, se tivessem podido se juntar, é uma hipótese indiscutível. O destino adverso que separou os amantes (ou os juntou na morte) perderia seu valor trágico se perguntássemos: será que Romeu e Julieta continuariam se amando com afinco se, um dia, conseguissem deitar-se juntos sem que Romeu tivesse que escalar a casa de Julieta até o famoso balcão? Ou se, em vez de enfrentar a oposição letal de suas ascendências, eles passassem os domingos em espantosos churrascos de família?
Talvez as histórias de amor que acabam mal nos fascinem porque, nelas, a dificuldade do amor se apresenta disfarçada. A luta trágica contra o mundo que se opõe à felicidade dos amantes pode ser uma metáfora gloriosa da dificuldade, tragicômica e inglória, da vida conjugal.
O casal que dura no tempo, em regra, não é tema para uma história de amor, mas para farsa ou vaudeville -às vezes, para conto de terror, à la "Dormindo com o Inimigo". Durante décadas, Calvin Trillin escreveu uma narrativa de sua vida de casal, na revista "New Yorker" e em alguns livros (por exemplo, "Travels with Alice", viajando com Alice, de 1989, e "Alice, Let's Eat", Alice, vamos para a mesa, de 1978).
Nesses escritos, que são só uma parte de sua produção, Trillin compunha com sua mulher, Alice, uma dobradinha humorística, em que Calvin era o avoado, o feio e o desajeitado, e Alice encarnava, ao mesmo tempo, a beleza, a graça e a sabedoria concreta de vida. À primeira vista, isso confirma a regra: a vida de casal é um tema cômico. Mas as crônicas de Trillin eram delicadas e tocantes: engraçadas, mas nunca grotescas.
Trillin não zombava da dificuldade da vida de casal: ele nos divertia celebrando a alegria do casamento. Qual era seu segredo? Pois bem, Alice, com quem Trillin se casou em 1965, morreu em 2001. Trillin escreveu "Sobre Alice", que acaba de ser publicado pela Globo. Esse pequeno e tocante texto de despedida desvenda o segredo de um amor e de uma convivência felizes, que duraram 35 anos.
O segredo é o seguinte: Calvin e Alice, as personagens das crônicas, não eram artifícios literários, eram os próprios. A oposição entre os dois foi, efetivamente, o jeito especial que eles inventaram para conviver e prolongar o amor na convivência.
Considere esta citação de um texto anterior, que aparece no começo de "Sobre Alice": "Minha mulher, Alice, tem a estranha propensão de limitar nossa família a três refeições por dia". A graça está no fato de que a "propensão" de Alice não é extravagante, mas é contemplada por Calvin como se fosse um hábito exótico. Alice é situada e mantida numa alteridade rigorosa, em que é impossível distinguir qualidades e defeitos: Calvin a ama e admira como a gente contempla, fascinado, uma espécie desconhecida num documentário do Discovery Channel.
Se amo e admiro o outro por ele ser diferente de mim (e não apesar de ele ser diferente de mim), não posso considerar que minha maneira de ser seja a única certa. Se Calvin acha extraordinário que Alice acredite na virtude de três refeições diárias, ele pode continuar petiscando o dia todo, mas seu hábito lhe parecerá, no fundo, tão estranho quanto o de Alice.
Com isso, Calvin e Alice transformaram sua vida de casal numa aventura fascinante: a aventura de sempre descobrir o outro, cuja diferença inesperada nos dá, de brinde, a certeza de que nossa obstinada maneira de ser, nossos jeitos e nossa neurose não precisam ser uma norma universal, nem mesmo a norma do casal. Há quem diga que o parceiro ideal é aquele que nos faz rir. Trillin completou a fórmula: Alice era quem conseguia fazê-lo rir dele mesmo. Com isso, ele descobriu a receita do amor que dura.
Amor e amigos
Vc já se apaixonou por um amigo? Bem, todos meus namorados foram meus amigos então acho que isso já responde minha pergunta. Mas e vc? Ontem, dei carona pra uma amiga e ela veio com este problema: "To apaixonada por um amigo, e agora?" Perguntei se ele dava sinais de que tb estava e a resposta foi afirmativa. Ela disse que tem medo de perder a amizade caso o namoro não seja tão bacana.
Minha reposta foi direta "Fica logo com ele. Se acabar a amizade com o fim do namoro é pq o cara é babaca e vc não quer ser amiga de um cara babaca".
Ela riu, não esperava tanto apoio rs e disse que vai investir. Boa. Estou na torcida.
Minha reposta foi direta "Fica logo com ele. Se acabar a amizade com o fim do namoro é pq o cara é babaca e vc não quer ser amiga de um cara babaca".
Ela riu, não esperava tanto apoio rs e disse que vai investir. Boa. Estou na torcida.
Música do dia
A música de hoje é fodaaaaaaaaaa: Wish you were here do Pink Floyd:
So, so you think you can tell Heaven from Hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year,
Running over the same old ground.
What have you found? The same old fears.
Wish you were here.
So, so you think you can tell Heaven from Hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year,
Running over the same old ground.
What have you found? The same old fears.
Wish you were here.
Ressaca.... e exame...
... Putz, to de ressaca. Pior, acho que isso tornou mais desagradável um exame que fiz hoje pela manhã: uma ultrasonografia transvaginal. Sim, o nome é este mesmo e o lugar é exatamente este que você está pensando. Uma médica enfia lá embaixo um treco e fica pra cima, pra baixo (parece até que tá trocando as marchas de um carro rs) para os lados.. aí começa a perguntar: Qtos anos vc tem? toma anticoncepcional? Qdo foi sua última regra (sim, ela usou esta palavra)
Juro que qdo ela fez estas perguntas pensei: fudeu! To grávida! Não pensei isso à toa. Uma amiga querida descobriu num ultrassom (que ela foi fazer por um susposto problema renal) que estava grávida qdo ouviu os batimentos cardíacos vindos da barriga. Mas aí refiz as contas e fiquei tranquila. Esta não é uma possibilidade. Tomei os remédios certinhos. No way.
Na verdade, ela fez milhões de perguntas por um único motivo: os cistos que eu tinha nos ovários desapareceram ...e essa é a boa notícia do dia.
Juro que qdo ela fez estas perguntas pensei: fudeu! To grávida! Não pensei isso à toa. Uma amiga querida descobriu num ultrassom (que ela foi fazer por um susposto problema renal) que estava grávida qdo ouviu os batimentos cardíacos vindos da barriga. Mas aí refiz as contas e fiquei tranquila. Esta não é uma possibilidade. Tomei os remédios certinhos. No way.
Na verdade, ela fez milhões de perguntas por um único motivo: os cistos que eu tinha nos ovários desapareceram ...e essa é a boa notícia do dia.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Talk, again
Eis outro trecho de Talk, do Coldplay. Não tem jeito, estou ouvindo esta música todos os dias e sempre acho que ela foi escrita para mim?
Tell me how do you feel?
Well I feel like they're talking in a language I don't speak
And they're talking it to me...
...So you don't know were you're going, and you wanna talk
And you feel like you're going where you've been before
You tell anyone who'll listen but you feel ignored
Nothing's really making any sense at all
Let's talk, let's ta-a-alk
Tell me how do you feel?
Well I feel like they're talking in a language I don't speak
And they're talking it to me...
...So you don't know were you're going, and you wanna talk
And you feel like you're going where you've been before
You tell anyone who'll listen but you feel ignored
Nothing's really making any sense at all
Let's talk, let's ta-a-alk
Pela liberdade.. SEMPRE !!!

Não quero ficar chata, recomendando milhões de movimentos sociais, mas o que acontece em Mianmar, antiga Birmânia, é uma vergonha. Em pleno século XXI, assistimos à censura, repressão total, a toda e qualquer forma de expressão.
Um protesto de monges budistas contra a ditadura e o aumento do combustível (em mais de 500%)terminou em trajédia no último mês, mas acabou motivando mais pessoas a aderirem à campanha pelo fim da ditadura no país. Vale a pena se engajar também. Sim, estamos longe, mas a comunicação no Brasil, por incrível que pareça, ainda é livre. Portanto, vamos aproveitar a tal liberdade para esclarecer aos que conhecemos sobre os absurdos que estão sendo cometidos em Mianmar. Faça sua parte.
Amanhã, dia 4, blogs de todo o mundo farão um protesto. O meu começou hoje. Leia mais aqui.
Bizarro...
abandono...
... nos últimos dias o noticiário foi tomado por matérias sobre abandonos de recém-nascidos. Um absurdo. O caso lá de MG é o mais chocante. A mãe, se é que ela pode ser chamada assim, lançou o filho pela janela de um barraco em um córrego poluído. Que mundo é este? Pára que quero descer...
Viagra
o tema viagra fez sucesso. Além de e-mails, fiquei ontem no msn com outro amigo que já me confessou ter feito uso deste tipo de medicamento para manter a forma na despedida de solteiro de outro amigo. A justificativa foi: "Eram nove mulheres, né". Sim, ele achou que daria conta das nove. Não, ele não deu. Ficou com três, a média de todos, segundo ele.
E....
....a preguiça? Estou dominada por este ser asqueroso chamado preguiça. A promessa de andar de bike 3 vezes por semana... tá a perigo rs. Fodaaaaaa
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Agradecimento....
.. à Karla que, mesmo com ressaca, passando mal, arrumou a cama lá de casa e lavou a louca. Um esclarecimento aos maldosos de plantão: Sim, dormimos na mesma cama. Não, definitivamente não tivemos nenhum tipo de contato físico. A cama é queen size.
Viagra antes dos 30...
.... sim, é verdade. Um número maior de amigos, que nem chegaram na casa dos 30, já está fazendo uso indiscriminado de Viagra. Tomam toda sexta-feira. Eles garantem que não têm problemas de impotência, mas tenho lá minhas dúvidas. rs
Em sua defesa, um deles disse que toma o remédio há um ano pq quer ter mais confiança, ficar 8 horas com o pau duro e satisfazer mais de uma mulher neste período.
Eu não vejo lá muito sentido nisso. Acho bacana qdo a mulher consegue animar o cara por conta própria, sem ajuda de nada. É um mérito, é bacana. Não iria querer um cara de pau duro do meu lado por 8 ou 12 horas. Iria querer ver a barraca desarmada. Argumentei, mas... parece que à toa.
Em sua defesa, um deles disse que toma o remédio há um ano pq quer ter mais confiança, ficar 8 horas com o pau duro e satisfazer mais de uma mulher neste período.
Eu não vejo lá muito sentido nisso. Acho bacana qdo a mulher consegue animar o cara por conta própria, sem ajuda de nada. É um mérito, é bacana. Não iria querer um cara de pau duro do meu lado por 8 ou 12 horas. Iria querer ver a barraca desarmada. Argumentei, mas... parece que à toa.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Sacanagem...
... este blog não sobreviveria sem uma sacanagem né. Logo eu, logo o meu blog, tem que ter uma pitada de sacanagem. Pois bem. O tema de hoje é abrir ou armar. Você deve estar se perguntando sobre o que se trata. Bem, lá vai minha teoria (que compartilho com umas amigas).
Nós, mulheres, reclamamos de muitas coisas: vida, cabelos, pés, bunda, peito, cada uma tem um problema. Mas nada, eu disse, nada, se compara ao problema dos homens. Volta e meia eles não conseguem armar a barraca. E isso é sério. Nos últims 15 dias duas amigas passaram por esta situação constrangedora.
O cara não sabia o que falar.. elas menos ainda. Fazer o que? Dormir acho que é uma boa opção. Por estes inconvenientes, há quem prefira os meninos com menos de 30, são mais firmes, se é que vc me entende... outras preferem os quarentões, que são mais experientes e sabem como se livrar deste probleminha rs.
Pelo menos neste quesito as mulheres não têm muito do que reclamar. Nosso brinquedinho é de abrir. O deles de armar. No nosso caso, KY resolve. Lubrifica que é uma beleza. No deles... só viagra. E, como se sabe, nem todos os homens podem tomar viagra. Santo brinquedinho de abrir rs.
Nós, mulheres, reclamamos de muitas coisas: vida, cabelos, pés, bunda, peito, cada uma tem um problema. Mas nada, eu disse, nada, se compara ao problema dos homens. Volta e meia eles não conseguem armar a barraca. E isso é sério. Nos últims 15 dias duas amigas passaram por esta situação constrangedora.
O cara não sabia o que falar.. elas menos ainda. Fazer o que? Dormir acho que é uma boa opção. Por estes inconvenientes, há quem prefira os meninos com menos de 30, são mais firmes, se é que vc me entende... outras preferem os quarentões, que são mais experientes e sabem como se livrar deste probleminha rs.
Pelo menos neste quesito as mulheres não têm muito do que reclamar. Nosso brinquedinho é de abrir. O deles de armar. No nosso caso, KY resolve. Lubrifica que é uma beleza. No deles... só viagra. E, como se sabe, nem todos os homens podem tomar viagra. Santo brinquedinho de abrir rs.
Obrigada
Queria agradecer também aos amigos que me deram apoio nos útlimos dias. Hoje fui à reumatologista e ela acha que não preciso chorar muito pq as novas manchas são em cima das antigas o que, para ela, não seriam novas lesões. Por via das dúvidas saí de lá com 500 mil exames para fazer. Farei todos amanhã, bem cedo, antes de começar o tratamento para as manchas.
Aliás, este tratamento nem começou e já tá me dando trabalho. Ontem fui ao shopping comprar um óculos de sol novo. É lindo, minha mãe me deu de presente, parece com os de Jackie Kennedy, um luxo. Claro que eu já dei uma arranhadinha básica nele, lá em Copacabana, hoje. Mas tudo bem, foi bem pequena.
Mas ir a milhões de óticas atrás de óculos foi o de menos. O pior foi bater perna em todas as farmácias da Zona Sul procurando um remédio que não existe. sim, não existe no Brasil, mas só descobri isso hoje. O remédio que vou tomar é da Áustria. Já consegui comprar e a vantagem de tomar um remédio austríaco é não conseguir ler a bula.
Estou completamente ignorante. Não sei quais são os efeitos colaterais, nada, nada. E fico feliz por isso. Lembro que da última vez que fiz este tratamento, eu tomava um remédio nacional que me deixava muito enjoada, era um saco. A princípio, a única coisa que sei é que vou ter de ficar de óculos de sol nos dias que fizer o tratamento. Isso pq farei bronzeamento artificial ( o tratamento é isso, ok) e o remédio será potencializado. Se sair no sol, posso queimar a retina. Mas ok, agora que estou como Jackie ... ninguém me segura.
Aliás, este tratamento nem começou e já tá me dando trabalho. Ontem fui ao shopping comprar um óculos de sol novo. É lindo, minha mãe me deu de presente, parece com os de Jackie Kennedy, um luxo. Claro que eu já dei uma arranhadinha básica nele, lá em Copacabana, hoje. Mas tudo bem, foi bem pequena.
Mas ir a milhões de óticas atrás de óculos foi o de menos. O pior foi bater perna em todas as farmácias da Zona Sul procurando um remédio que não existe. sim, não existe no Brasil, mas só descobri isso hoje. O remédio que vou tomar é da Áustria. Já consegui comprar e a vantagem de tomar um remédio austríaco é não conseguir ler a bula.
Estou completamente ignorante. Não sei quais são os efeitos colaterais, nada, nada. E fico feliz por isso. Lembro que da última vez que fiz este tratamento, eu tomava um remédio nacional que me deixava muito enjoada, era um saco. A princípio, a única coisa que sei é que vou ter de ficar de óculos de sol nos dias que fizer o tratamento. Isso pq farei bronzeamento artificial ( o tratamento é isso, ok) e o remédio será potencializado. Se sair no sol, posso queimar a retina. Mas ok, agora que estou como Jackie ... ninguém me segura.
Dores da vida
Hoje está sendo um dia doloroso. Sinto dores físicas e emocionais. As físicas é por um motivo óbvio. Ontem, depois de 15 anos, decidi andar de bicicleta. Fui de Botafogo a Glória. Pedalei muito. Foi ótimo, mas o efeito foi devastador. Meus braços estão doendo, as pernas também. Pior, a virilha, quer dizer, a minha xereca (ops, não era pra falar isso aqui) tb está doendo. Pq será que aquele banco é tão desconfortável? É para eu não andar mais de bicicleta? Bem, pouco importa, decidi que vou pedalar, ao menos, 3 vezes por semana. Veremos...
.. já as dores emocionais estão relacionadas à perda de uma amiga muito querida. Uma vizinha, que considerava uma tia, faleceu ontem à tarde, de câncer. Fiquei até as 22h no velório. Pra mim, o pior não foi vê-la no caixão, mas acompanhar o sofrimento dos filhos. São 3, o mais velho tem uns 25 anos. Há exatos 11 meses eles perderam o pai, que era como um irmão para o meu pai.
Lembro que qdo meu pai morreu, Marcos e Angela foram as pessoas que mais deram apoio à minha mãe, à minha família. Adotei eles como tios, sempre presentes, preocupados e tal. Em outubro do ano passado, cansado de ver a mulher sofrer de câncer por 7 anos, Marcos não aguentou, enfartou e morreu, em casa, como meu pai.
Eu chorava tanto no velório dele que as pessoas vinham me consolar como se eu fosse mesmo um parente. Eu chorava pela perda, pela situação, por ver Angela, que mal conseguia ficar em pé por 30 minutos sem sentir dor, ali, em pé, ao lado do caixão, olhando 'umas últimas horas', como ela mesmo definiu, para aquele que tinha sido o grande amor de sua vida. Chorava pelos filhos que perdiam o pai e que já tinham a sentença de morte da mãe.
Lembro que, na época, eu que sofri muito por uma separação, repensei minha vida. Vi que aquilo sim é que era problema. Senti vergonha por ter perdido noites chorando por um cara que não valia uma lágrima.
Ontem, às 22h, no cemitério, vendo aquele corpo em uma caixa de madeira, com as mãos enlaçadas a um terço, uma figura frágil. Vendo os filhos, que nem chorar conseguiam. Diante de todo este quadro triste, senti, mais uma vez, vergonha.
Sim, eu sei que todos os problemas, por menor que sejam, são importantes. Mas, na boa, nada se compara ao drama que vive esta família tão próxima e querida por mim. Senti vergonha por chorar pela minha doença e por tantas outras coisas babacas e efêmeras.
O que fazer agora? Além de rezar, ajudar aos que ficaram vivos, dar apoio, o ombro, os ouvidos e toda assistência que estiver ao meu alcance. Até porque, a gente só pode mesmo ajudar aos que estão vivos.
.. já as dores emocionais estão relacionadas à perda de uma amiga muito querida. Uma vizinha, que considerava uma tia, faleceu ontem à tarde, de câncer. Fiquei até as 22h no velório. Pra mim, o pior não foi vê-la no caixão, mas acompanhar o sofrimento dos filhos. São 3, o mais velho tem uns 25 anos. Há exatos 11 meses eles perderam o pai, que era como um irmão para o meu pai.
Lembro que qdo meu pai morreu, Marcos e Angela foram as pessoas que mais deram apoio à minha mãe, à minha família. Adotei eles como tios, sempre presentes, preocupados e tal. Em outubro do ano passado, cansado de ver a mulher sofrer de câncer por 7 anos, Marcos não aguentou, enfartou e morreu, em casa, como meu pai.
Eu chorava tanto no velório dele que as pessoas vinham me consolar como se eu fosse mesmo um parente. Eu chorava pela perda, pela situação, por ver Angela, que mal conseguia ficar em pé por 30 minutos sem sentir dor, ali, em pé, ao lado do caixão, olhando 'umas últimas horas', como ela mesmo definiu, para aquele que tinha sido o grande amor de sua vida. Chorava pelos filhos que perdiam o pai e que já tinham a sentença de morte da mãe.
Lembro que, na época, eu que sofri muito por uma separação, repensei minha vida. Vi que aquilo sim é que era problema. Senti vergonha por ter perdido noites chorando por um cara que não valia uma lágrima.
Ontem, às 22h, no cemitério, vendo aquele corpo em uma caixa de madeira, com as mãos enlaçadas a um terço, uma figura frágil. Vendo os filhos, que nem chorar conseguiam. Diante de todo este quadro triste, senti, mais uma vez, vergonha.
Sim, eu sei que todos os problemas, por menor que sejam, são importantes. Mas, na boa, nada se compara ao drama que vive esta família tão próxima e querida por mim. Senti vergonha por chorar pela minha doença e por tantas outras coisas babacas e efêmeras.
O que fazer agora? Além de rezar, ajudar aos que ficaram vivos, dar apoio, o ombro, os ouvidos e toda assistência que estiver ao meu alcance. Até porque, a gente só pode mesmo ajudar aos que estão vivos.
Assinar:
Postagens (Atom)

